Dívida pública avança durante o governo Lula
Pressão sobre a sustentabilidade fiscal acende alerta sobre as contas do país.
Publicado em 26 de agosto de 2026, 15:19 — Em São Paulo

A trajetória das contas públicas voltou a ocupar o centro das discussões econômicas no Brasil. Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023, a dívida pública brasileira cresceu 10,2 pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). O indicador passou de 71,7% do PIB ao final do governo Jair Bolsonaro (PL) para 81,9% em junho de 2026, o equivalente a aproximadamente R$ 10,8 trilhões.
O atual nível é o mais elevado desde abril de 2021, período marcado pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19. A distância para o recorde histórico, de 87,6% do PIB, registrado em outubro de 2020, também diminuiu.
O avanço da dívida ocorre em meio a um cenário de déficit fiscal persistente e de juros elevados. Dados do Banco Central apontam que o déficit nominal acumulado em 12 meses até junho chegou a 9,99% do PIB. O indicador leva em consideração não apenas o resultado primário, mas também as despesas com juros da dívida pública.
As projeções para os próximos anos reforçam a preocupação. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estima que a dívida bruta termine 2026 em 82,5% do PIB. Mantida a atual trajetória, o indicador poderia alcançar 100% do PIB em 2032 e chegar a 115% em 2036.
O cenário também coloca o terceiro mandato de Lula diante de uma marca negativa nas contas públicas. Para o economista-chefe da Tullett Prebon Brasil, Fernando Montero, o governo deverá encerrar o período com déficit nominal médio de 8,6% do PIB. Segundo a projeção, seria o maior resultado entre os governos federais das últimas duas décadas, superando os níveis observados nas gestões de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.
Na avaliação do presidente da IFI, Marcus Pestana, três elementos ajudam a explicar a deterioração fiscal: o crescimento moderado da economia, a manutenção dos juros em níveis elevados e a falta de geração de poupança pública. O país, segundo ele, deve completar 2026 com 13 anos consecutivos de déficit primário.
O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, também considera elevado um déficit nominal próximo de 10% do PIB, inclusive quando comparado aos padrões históricos brasileiros. Ele ressalva, porém, que parte do resultado mais recente foi afetada pela antecipação de pagamentos de precatórios, movimento que provocou uma elevação temporária das despesas públicas.</u></i>
Mais do que uma disputa de narrativas entre governos, os números colocam uma questão estrutural para o país: até que ponto o crescimento da dívida pode ser sustentado sem comprometer investimentos, serviços públicos, juros e a própria capacidade de o Estado responder a futuras crises?
E você, como avalia esse cenário? O avanço da dívida pública é consequência principalmente das decisões fiscais do governo Lula, dos juros elevados e de fatores acumulados ao longo de diferentes administrações? Ou o problema revela uma dificuldade estrutural do Brasil em equilibrar gastos, receitas e crescimento econômico?
O debate está aberto: qual deveria ser a prioridade do governo para enfrentar o aumento da dívida; corte de despesas, aumento de receitas, redução dos juros, revisão de benefícios e gastos obrigatórios ou uma combinação dessas medidas?




