Voto no exterior em números: 916 mil eleitores, 134 países e uma parcial que começa pelo Japão
Brasileiros fora do país escolhem só presidente e vice. Boletins de urna da Ásia e da Oceania já circulam, mas o TSE só soma tudo a partir das 17h de Brasília.
Publicado em 4 de outubro de 2026, 13:27 — Em São Paulo

Enquanto as urnas ainda estão abertas no Brasil, uma parte da eleição presidencial já terminou. Nos países da Ásia e da Oceania, onde o dia começa primeiro, as seções fecharam horas antes e os boletins de urna foram afixados nas portas dos consulados. É daí que saem as primeiras parciais do voto no exterior, que a imprensa vem compilando desde a madrugada deste domingo (4).
Quem vota fora do país
Segundo a totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 916.534 brasileiros estão aptos a votar fora do Brasil neste primeiro turno, distribuídos em 1.351 seções. O número é o maior da história: o próprio TSE contabilizou 918.876 inscritos no fechamento do cadastro, um crescimento de 31,8% sobre os 697.078 eleitores de 2022.
A votação acontece em 186 cidades de 134 países. Os Estados Unidos concentram a maior colônia, com cerca de 265 mil eleitores, seguidos por Portugal (134,7 mil) e Japão (88,4 mil). Entre as cidades, Lisboa lidera, com 78.833 inscritos, à frente de Boston (53.406), Porto (47.676), Nagoya (44.570), Miami (40.104) e Nova York (39.026). As dez maiores localidades reúnem 46,2% de todo o eleitorado do exterior.
Quem tem domicílio eleitoral fora do país vota apenas para presidente e vice-presidente. Não há escolha de governador, senador ou deputados. Todo esse eleitorado pertence a uma única zona eleitoral, a Zona ZZ, vinculada ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
Por que o exterior sai antes
No exterior, a votação segue o horário local de cada país, das 8h às 17h. Na prática, a eleição brasileira se estende por cerca de 29 horas ao redor do mundo: começa na Nova Zelândia e na Austrália, passa pelo Japão, pela Europa e termina na costa oeste dos Estados Unidos, já de noite no horário de Brasília.
Quando uma seção fecha, a urna imprime o boletim com o resultado daquela seção, e uma cópia fica exposta no local de votação. É esse documento público que permite às redações apurar, país a país, como votou a comunidade brasileira antes de qualquer divulgação oficial.
A totalização do TSE, porém, só começa às 17h de Brasília, depois do fechamento das urnas em todo o país. A partir daí os votos do exterior entram no painel oficial, somados aos do Brasil. Até lá, as parciais são informações colhidas nos boletins e não têm valor oficial.
O que as parciais mostram até agora
Os boletins já compilados pela imprensa desenham um mapa dividido. Pelos números reunidos pela Exame e pelo portal Transmissão Política a partir dos boletins de urna:
- Japão: Flávio Bolsonaro (PL) lidera com folga. Nas 119 seções de Tóquio, Nagoya e Hamamatsu foram 24.601 votos (cerca de 71,7% dos válidos), contra 5.234 de Lula (PT), em um universo de mais de 36 mil votantes. É o maior colégio asiático e a maior vitória do candidato do PL fora do país até aqui.
- Austrália: Lula aparece na frente, com 4.562 votos contra 2.579 de Flávio, em dados ainda provisórios.
- Nova Zelândia: Lula com 234 votos (70,5% dos válidos) e Flávio com 64.
- Coreia do Sul: Lula 123 votos (56,9%), Flávio 72.
- Cingapura: Lula 190 votos (54,6%), Flávio 92.
- China: Lula à frente, com 268 votos somando Pequim, Xangai e Cantão.
- Filipinas: Flávio 33 votos (53,2%), Lula 26.
- Oriente Médio: Lula venceu na Palestina (1.078 votos, 93,1%) e na Jordânia (675 votos, 85,8%); Flávio levou Israel (523 votos, 74,3%) e os Emirados Árabes (659 votos, 48,6%).
Os demais candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (MISSÃO), somam votações residuais nesses países. Ao todo, doze nomes disputam a Presidência.
Quanto isso pesa
Pouco, em termos de resultado. Os 916 mil eleitores do exterior representam menos de 0,6% dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu no exterior nos dois turnos, puxado pelo Japão e pelos Estados Unidos, enquanto Lula ficou à frente em Portugal e em boa parte da Europa. Nada disso mudou o desfecho nacional.
O valor da parcial do exterior é outro: ela é um termômetro antecipado e, principalmente, a primeira notícia concreta de um dia em que o país inteiro espera pelas 17h. Os grandes colégios, que estão nos Estados Unidos e em Portugal, só fecham no fim da tarde e à noite, no horário de Brasília, e por isso o retrato final do voto fora do país só vem com a totalização oficial.
Como acompanhar
A partir das 17h, o Canal Estado SP acompanha a apuração oficial em tempo real, com os números do TSE para presidente, governador, senador e as bancadas de São Paulo, no painel do Canal Votos. O painel atualiza sozinho a cada minuto e permite favoritar candidatos para seguir a votação deles ao longo da noite.





