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Tarcísio de Freitas evita falar em 2030 e aponta segurança e saúde como desafios para segundo mandato em São Paulo

Governador votou no Morumbi neste domingo, demonstrou confiança no resultado das eleições 2026 e afirmou que uma boa votação dará respaldo para um novo mandato em São Paulo.

Juliana Scudeler Salto
Juliana Scudeler Salto

Publicado em 4 de outubro de 2026, 15:49 — Em São Paulo

5 min de leitura
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Tarcísio de Freitas evita falar em 2030 e aponta segurança e saúde como desafios para segundo mandato em São Paulo
Tarcísio de Freitas evita falar em 2030 e aponta segurança e saúde como desafios para segundo mandato em São PauloFoto: Jessica Bernardo/Metrópoles

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), evitou antecipar neste domingo, dia 04, uma eventual candidatura à Presidência da República em 2030. Durante a votação no Colégio Miguel de Cervantes, no Morumbi, zona oeste da capital, o governador afirmou que seu foco está voltado para um possível segundo mandato à frente do Estado.

Tarcísio chegou ao local de votação por volta das 10h20, acompanhado da esposa, Cristiane Freitas, do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

Ao falar sobre seu futuro político, o governador afirmou que uma boa votação nas urnas lhe dará respaldo para conduzir a administração estadual nos próximos anos. Tarcísio não confirmou qualquer intenção de disputar a Presidência em 2030 e disse que, neste momento, sua prioridade é fazer um bom governo.

“

“Uma boa votação te dá autoridade para fazer um bom mandato, para buscar o melhor resultado, para entregar o máximo à população.”

”

Segundo o governador, os próximos passos políticos dependerão do tempo e de sua fé. A declaração ocorre em meio às especulações sobre seu futuro dentro da direita brasileira, já que Tarcísio é apontado como um dos nomes com potencial para uma futura disputa nacional.

Segurança e saúde serão desafios de um eventual segundo mandato

Ao projetar os próximos anos em São Paulo, Tarcísio destacou a segurança pública e a saúde como os principais desafios de um eventual segundo mandato.

Na área da saúde, o governador chamou atenção para o envelhecimento da população e para o impacto desse processo sobre a demanda por atendimento.

A avaliação de Tarcísio é de que o Estado terá de lidar com uma pressão cada vez maior sobre os serviços de saúde e também discutir formas de financiamento para atender essa demanda. Nesse contexto, citou a tabela SUS Paulista como uma das medidas voltadas ao enfrentamento do cenário.

Na segurança pública, o governador também reconheceu a existência de desafios para os próximos anos, em uma área que esteve entre os principais temas de sua primeira gestão.

Tarcísio demonstra confiança antes da apuração das Eleições 2026

Apesar da vantagem apontada pelas pesquisas, Tarcísio adotou um discurso de cautela ao comentar o resultado das urnas e afirmou que aguardará a apuração.

Na véspera da eleição, a pesquisa Datafolha apontou Tarcísio com 60% dos votos válidos contra 35% de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Governo de São Paulo. O levantamento ouviu 2.520 eleitores e teve margem de erro de dois pontos percentuais.

A Quaest, também divulgada antes do primeiro turno, apresentou cenário semelhante: 60% para Tarcísio e 36% para Haddad entre os votos válidos. A pesquisa ouviu 3.702 eleitores paulistas nos dias 2 e 3 de outubro.

Com esse cenário, Tarcísio chegou ao dia da votação com possibilidade de confirmar a reeleição já no primeiro turno.

Apoio a aliados e disputa pelo Senado

Além da própria candidatura ao Governo de São Paulo, Tarcísio atuou durante a campanha em favor de seus aliados na disputa pelo Senado.

O governador apoiou André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), que também o acompanharam durante a votação deste domingo.

No colégio eleitoral, Tarcísio agradeceu aos partidos e aliados que participaram da campanha e afirmou estar otimista com o resultado. Também destacou a atuação de Ricardo Nunes e de outros prefeitos que, segundo ele, contribuíram para sua trajetória eleitoral.

O governador afirmou ainda que São Paulo continuará na vanguarda e agradeceu o apoio recebido durante a campanha.

Tarcísio e o futuro do bolsonarismo

O resultado da eleição paulista também terá impacto sobre o espaço político de Tarcísio dentro da direita brasileira.

Antes de confirmar sua candidatura à reeleição em São Paulo, o governador chegou a ser considerado um dos possíveis nomes para representar o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma futura eleição presidencial.

A preferência, entretanto, acabou recaindo sobre Flávio Bolsonaro (PL). Durante a campanha de 2026, Tarcísio participou de agendas conjuntas e declarou apoio à candidatura de Flávio.

O governador também ampliou sua presença entre o eleitorado feminino, participou de agendas em igrejas evangélicas e reforçou a atuação na Grande São Paulo, região em que havia perdido para Fernando Haddad na eleição de 2022.

Primeiro mandato foi marcado por privatizações e concessões

Tarcísio chegou ao governo paulista em 2023, após vencer Fernando Haddad no segundo turno das eleições de 2022. Naquele pleito, recebeu 55,27% dos votos, contra 44,73% do adversário.

A primeira gestão foi marcada por uma agenda de privatizações, concessões e obras de infraestrutura.

Entre os principais acontecimentos do período estão a redução do principal fluxo da Cracolândia, na região central da capital, e a entrega da Linha 17-Ouro do Monotrilho, projeto que acumulava mais de uma década de atraso.

O governo também conduziu a privatização da Sabesp e a concessão de linhas ferroviárias à iniciativa privada.

As medidas, porém, também foram alvo de críticas. Acidentes e problemas relacionados aos serviços concedidos geraram questionamentos sobre o modelo adotado pelo governo.

Na área de segurança, a gestão enfrentou críticas relacionadas ao aumento da letalidade policial, enquanto os números de feminicídios também se tornaram um dos pontos negativos associados ao primeiro mandato.

O que está em jogo após a votação

Com o encerramento da votação deste domingo, o resultado das urnas passa a definir não apenas quem comandará o Estado de São Paulo nos próximos quatro anos, mas também o tamanho da força política de Tarcísio no cenário nacional.

Uma eventual reeleição poderá ampliar o peso do governador dentro da direita e manter seu nome entre os possíveis protagonistas da política nacional nos próximos anos.

Por enquanto, porém, Tarcísio evita antecipar 2030 e afirma que o foco está em fazer um bom mandato e entregar resultados à população paulista.

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