Lula critica atuação da ONU e afirma que credibilidade da organização está em baixa
Lula aponta crise de credibilidade e cobra reação diante dos conflitos.
Publicado em 22 de setembro de 2026, 14:12 — Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta terça-feira (22), a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral, em Nova York. O chefe do Executivo brasileiro afirmou que a entidade atravessa uma crise de credibilidade justamente em um momento de intensificação dos conflitos internacionais.
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A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra, declarou Lula.”
Segundo o presidente, a capacidade da organização de proteger populações vulneráveis, especialmente aquelas que não dispõem de exércitos ou grandes arsenais, nunca esteve tão reduzida.
Lula também direcionou críticas ao Conselho de Segurança da ONU, órgão responsável por tratar das principais questões relacionadas à paz e à segurança internacionais. Para o presidente, o mecanismo enfrenta um cenário de paralisia que compromete a capacidade de resposta da comunidade internacional.
“Somos todos reféns do imobilismo num Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel, afirmou.”
A reforma do Conselho de Segurança é uma reivindicação recorrente da diplomacia brasileira. O Brasil defende uma estrutura mais representativa da atual configuração política mundial, incluindo maior participação de países da América Latina e da África. Em discursos anteriores na ONU, Lula já havia defendido mudanças na composição, nos métodos de trabalho e no sistema de veto do órgão.
O discurso ocorre em uma Assembleia Geral cujo tema central é justamente a necessidade de “restaurar a confiança” e fortalecer uma ONU capaz de responder aos desafios globais. Entre 22 e 28 de setembro, representantes dos 193 Estados-membros participam do debate geral, considerado um dos principais espaços de diálogo e cooperação da diplomacia internacional.</u>
Ao colocar a crise do multilateralismo no centro de sua fala, Lula reforça uma questão que ultrapassa os conflitos específicos do momento: qual deve ser o papel das instituições internacionais em um mundo marcado por disputas de poder cada vez mais complexas?
A força da ONU depende, em grande medida, da capacidade de seus Estados-membros de transformar o diálogo em decisões efetivas. O alerta feito por Lula expõe, assim, um dilema que permanece aberto: como preservar a ideia de cooperação internacional quando os mecanismos criados para garantir a paz encontram dificuldades para produzir respostas diante das guerras e das crises humanitárias? A resposta a essa questão poderá definir não apenas o futuro da organização, mas também a capacidade da comunidade internacional de enfrentar coletivamente os conflitos das próximas décadas.





