Candidato a estadual, Júnior Freitas adere à Bancada dos Trabalhadores
Liderança dos motoboys firma compromisso por direitos trablhistas liderado por Moisés Selerges.
Publicado em 17 de setembro de 2026, 09:15 — Em São Paulo

A expansão do trabalho por aplicativos criou uma realidade que ainda não encontra correspondência na legislação trabalhista, segundo Moisés Selerges (PT-SP), candidato a deputado federal. Para enfrentar esse cenário, ele articula a formação de uma Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras, com representantes no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas.
A proposta ganhou um novo integrante em São Paulo. Júnior Freitas, o JR (Psol-SP), liderança dos motoboys e candidato a deputado estadual, assinou uma carta de compromisso com Moisés e se colocou como representante da iniciativa na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
A atuação deverá ter como foco trabalhadores que estão fora do mercado formal ou possuem pouca proteção trabalhista, entre eles entregadores, babás, camelôs e costureiras. O documento firmado pelos candidatos reúne reivindicações relacionadas a segurança, direitos básicos, proteção social e garantia de renda.
A experiência de JR com a categoria dos motoboys é um dos pontos centrais da parceria. Ele atua há mais de 20 anos como profissional do setor e passou a exercer papel de liderança entre os trabalhadores a partir de 2020. Também esteve entre os interlocutores do movimento Breque dos Apps nas discussões com o governo federal sobre a chamada MP dos Motoboys.
Para JR, a aproximação com Moisés reúne experiências diferentes dentro da defesa dos trabalhadores.
Eu e Moisés nos completamos. Ele é um operário que vem do movimento sindical e tem experiência na luta de conquistas de direitos. Eu posso contribuir com a minha história de mais de 20 anos como motoboy e na liderança da categoria desde 2020, afirmou.
O candidato do Psol também chamou atenção para a disputa de interesses envolvendo o trabalho mediado por plataformas digitais.
“A Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras será muito importante no Congresso Nacional. Hoje, o lobby dos aplicativos está tão forte quanto o do agro lá em Brasília, disse.”
Moisés defende que a proteção social acompanhe as transformações ocorridas no mercado de trabalho. Para ele, a existência de novas modalidades de prestação de serviços exige mudanças também na Previdência Social.
“Todos os trabalhadores que estão nas plataformas têm uma coisa em comum: eles não têm direitos garantidos, e isso precisa mudar. Quando a Previdência Social foi criada, não existiam aplicativos, agora existem. Então temos que adaptá-la a essa nova realidade, assim como outras medidas, afirmou.”
A iniciativa, segundo os articuladores, conta com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vem reunindo apoios entre parlamentares e lideranças políticas.
Na Alesp, estão entre os apoiadores os deputados estaduais e candidatos à reeleição pelo PT Barba, Luiz Fernando e Eduardo Suplicy, além de Ediane Maria (Psol-SP).
Também aderiram à proposta, segundo a campanha, os ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos; a candidata ao Senado e ex-ministra Marina Silva (Rede); as deputadas federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Talíria Petrone (Psol-RJ); o candidato ao governo de Minas Gerais Patrus Ananias (PT); o ex-ministro Márcio Macedo (PT-SE); e a deputada estadual mineira Bella Gonçalves (PT-MG).
Com a entrada de JR, a proposta passa a ter na disputa eleitoral paulista uma liderança diretamente ligada ao cotidiano dos trabalhadores de aplicativos, categoria que se tornou uma das faces mais visíveis das novas relações de trabalho.





